IGREJA ESPÍRITA CRISTÃ DE SÃO MIGUEL ARCANJO

IGREJA ESPÍRITA CRISTÃ DE SÃO MIGUEL ARCANJO
SEMEAR E DIFUNDIR A UMBANDA BRANCA INDÍGENA (UMBANDA DE CABOCLOS). PRESTAMOS ATENDIMENTO ESPIRITUAL, TOTALMENTE GRATUÍTO. A CARIDADE É A FORÇA DE NOSSA FÉ. NOSSO HORÁRIO DE TRABALHO É: AOS SÁBADOS DAS 19:00 ÀS 22:00HS. ENDEREÇO: RUA PEDRANÓPOLIS Nº 1313, VILA DIRCE (PRÓXIMO AO CDHU), CARAPICUÍBA, SÃO PAULO - BRASIL. PENSAMENTOS DE UM ALAGOANO, SEGUNDO NOSSO MENTOR ESPIRITUAL: DR. JOSÉ APARECIDO DA SILVA (VULGO: ZÉ PILINTRA D0 BORÉO): O QUE ESTÁ ACONTENCENDO COM A VERDADEIRA UMBANDA INDÍGENA BRASILEIRA. SABE-SE, QUE A NOSSA UMBANDA COM O PASSAR DOS SÉCULOS, SOFREU MUITAS ALTERAÇÕES NOS SEUS RITUAIS E CREDOS, CONTUDO A RAIZ DE NOSSA RELIGIÃO, POIS ESTA SIM É UMA RELIGIÃO EXCLUSIVAMENTE BRASILEIRA, TAMBÉM SE PERDEU. HOJE ENCONTRAM-SE ADEPTOS QUE ACREDITAM QUE NOSSA RELIGIÃO TEVE SUA ORIGEM NO CANDOMBLÉ, ENTRE OUTROS ABSURDOS. NÃO TEMOS NADA CONTRA O CANDOMBLÉ, O RESPEITAMOS, COMO TAMBÉM RESPEITAMOS TODAS AS DEMAIS RELIGIÕES, OS RESPEITAMOS COMO NOSSOS IRMÃOS, FILHOS DO MESMO DEUS. CONTUDO ISTO NÃO IMPLICA EM ACEITARMOS PENSAMENTOS ERRÔNEOS COMO ESTE ACIMA MENCIONADO. A UMBANDA JÁ ERA PRATICADA PELOS ÍNDIOS QUE HABITAVAM NOSSO PAÍS, SÉCULOS ANTES DA CHEGADA DE CABRAL, BEM COMO OS NEGROS JÁ PRATICAVAM O SEU CANDOMBLÉ NAS PLAGAS AFRICANAS, BEM ANTES DA CHEGADA DOS POVOS BRANCOS, SENDO ASSIM ENTENDEMOS ESTAS POR DUAS RELIGIÕES DISTINTAS DENTRO DO CAMPO ESPIRITUAL, CADA UMA COM SUA ORIGEM, CREDOS E DOGMAS DIFERENTES, NÃO PODENDO NUNCA SEREM CONFUNDIDAS COM UM SÓ. QUEM ESQUECE OU DESCONHECE SUAS PRÓPRIAS RAÍZES, SEU PASSADO, NÃO PODE CAMINHAR NUM FUTURO PRÓSPERO, A INFORMAÇÃO CORRETA É A CHAVE DA EVOLUÇÃO MATERIAL E ESPIRITUAL, CABE A CADA UM BUSCAR A SUA.............A VERDADE NÃO É PROPRIEDADE DE ALGUÉM, CABE CADA UM BUSCAR A SUA.........

sábado, 27 de março de 2010

A TÍTULO DE CURIOSIDADE, ESTOU POSTANDO ESTA MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA "ÉPOCA", RETIRADA DO SITE G1.COM. ACHEI SEU CONTEÚDO MUITO INTERESSANTE.

Milagres e milhões
Com promessas de cura e até de ressurreição, o apóstolo Valdemiro Santiago transformou sua Igreja Mundial num novo império evangélico
MARIANA SANCHES E RICARDO MENDONÇA. COM JULIANA ARINI, DE CUIABÁ (MT)
CARISMA 
De chapéu, uma de suas marcas, o apóstolo Valdemiro Santiago comanda um culto para 50 mil pessoas em
 
São Bernardo do Campo, São Paulo, em janeiro
– Uma das histórias que mais me impressionou (sic) foi de um homem que morreu. Como se diz no Nordeste, ele estava na pedra. A família já tinha recebido atestado de óbito. A filha dele chegou em mim na igreja, me abraçou e disse: “Se o senhor disser que ele está vivo, ele viverá”. O que houve ali foi pela fé dela. Comovido, respondi: “Então, está vivo”. Quando ela voltou para casa, estavam se preparando para velar o corpo e receberam a notícia de que o homem havia voltado à vida. Os médicos tentaram justificar, mas não conseguiram entender como o coração dele voltou a bater. Foi uma ressurreição.
O relato acima foi feito em 2009 pelo líder evangélico Valdemiro Santiago de Oliveira numa de suas raras entrevistas, concedida a uma publicação evangélica chamada Eclésia.
Alto, negro, extrovertido, de fala rouca cheia de erros de português e forte sotaque mineiro, Valdemiro, de 46 anos, é o criador, líder absoluto e autoproclamado “apóstolo” da Igreja Mundial do Poder de Deus. Caçula entre as neopentecostais, a igreja foi fundada em 1998, em Sorocaba, interior de São Paulo. Mineiro de Palma, região de Juiz de Fora, Valdemiro gosta de se definir como “homem do mato” ou “um simples comedor de angu”. Na pregação diária de bispos e pastores e no boca a boca de milhares de fiéis, é reverenciado como milagreiro. Além de afirmar ressuscitar os mortos, cultiva a fama de curar de aids, câncer, cegueira, surdez, tuberculose, hanseníase, paralisia, alergias, coceiras e dores em qualquer parte do corpo e da alma. Num domingo com três cultos, Valdemiro chega a apresentar mais de 30 testemunhos de cura. ÉPOCA tentou falar com Valdemiro durante dois meses. As solicitações foram feitas por meio de assessores e bispos e diretamente a ele, na saída de cultos. Em duas ocasiões, ele prometeu dar entrevista, mas nunca agendou.
Dissidência da Igreja Universal do Reino de Deus, a Mundial é a menos organizada das evangélicas. Seus templos têm instalações precárias. A pregação é classificada por alguns como “primitiva”. Há gritos, choros e performances espalhafatosas. Até suas publicações são visivelmente mais pobres que as das concorrentes. Apesar de fazer quase tudo no improviso, a Mundial já é considerada o maior fenômeno religioso do Brasil desde a criação da Igreja Universal, em 1977, sob a liderança do bispo Edir Macedo. Mais que isso, a Mundial começa a se firmar como ameaça ao império que a Universal ergueu no campo das neopentecostais.
Carismático, intuitivo, meio desafiador, meio fanfarrão, Valdemiro comanda uma estrutura que, de acordo com números da igreja, reúne 2.350 templos, cerca de 4.500 pastores e tem sedes em mais 12 países. Só em aluguéis de imóveis para cultos a Mundial gasta R$ 12 milhões por mês, segundo estima o diretor de compras da igreja, Mateus Oliveira, sobrinho de Valdemiro. Em número de templos, a Mundial superou duas de suas três concorrentes neopentecostais: a Internacional da Graça, do missionário R.R. Soares, e a Renascer, do casal Estevam e Sônia Hernandes. Nos últimos dois anos, a Mundial praticamente multiplicou por dez seu tamanho (em 2008, eram 250 templos). Mantido o atual ritmo de crescimento, ela ultrapassaria a Universal até 2012. A igreja de Edir Macedo afirma ter 5.200 templos e 10 mil pastores.
Uma característica nova na expansão da Mundial está naquilo que o sociólogo Ricardo Mariano, estudioso de religião na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, chama de “pescar no próprio aquário evangélico”. Estudos sugerem que a maior parte dos seguidores da Mundial veio de outras neopentecostais, principalmente da Universal. Poucos eram do meio católico, tradicional fornecedor de fiéis para denominações evangélicas. “Calculo que mais de 50% dos membros da Mundial saíram da Universal, uns 30% da Internacional da Graça e o resto das demais evangélicas ou outras religiões”, diz Paulo Romeiro, professor de teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor de um livro sobre a igreja.
Na cúpula da Mundial, a presença de ex-membros da Universal é expressiva. Estima-se que 90% dos bispos e até 80% dos pastores tenham sido formados por Edir Macedo. O próprio Valdemiro tem origem na Universal, onde atuou por 18 anos. O apetite com que a Mundial avança sobre a Universal aparece até na distribuição geográfica dos templos. Valdemiro tem predileção por instalar igrejas em imóveis que já foram ocupados pela Universal.
Parte do encanto de Valdemiro está na imagem messiânica que ele construiu em torno de si, contando histórias mirabolantes. A mais espetacular está no livro O grande livramento: ele descreve um naufrágio que sofreu em Moçambique em 1996, quando ainda era da Universal. Valdemiro diz que ele e três conhecidos foram vítimas de uma sabotagem, que fez a embarcação afundar a 20 quilômetros da costa. A partir daí, a história ganha ares cinematográficos.
Valdemiro na época pesava 153 quilos (anos depois, ele faria uma cirurgia de redução de estômago). Ele diz que deu os únicos três coletes aos colegas e começou a nadar a esmo. Diz ter nadado oito horas “contra forte correnteza”, “ondas gigantes” e cercado por “tubarões-brancos assassinos” e “barracudas agressivas”. Na travessia, prossegue sua narrativa, um pedaço de sua perna foi arrancado e seus olhos foram queimados por “águas-vivas gigantes”. Quando finalmente chegou à praia, diz ele, dormiu na areia e acordou nos braços de dois estranhos, “africanos seminus”. “Tive a clareza de que os anjos do Senhor haviam me visitado e me dado o livramento”, diz. Dos três companheiros, dois morreram e um foi resgatado. Na época, jornais noticiaram o naufrágio, mas muita gente na igreja duvidou do relato. Um bispo foi à África fazer uma sindicância, mas isso não sanou as dúvidas.
Valdemiro também conta outros três causos de “livramento”. Diz que, numa ocasião, caiu do 8º andar de uma obra, mas nada sofreu. Afirma também que, passeando de carro “na África”, uma bomba de um campo minado explodiu “arremessando nosso carro uns 3 metros para o alto”. Diz ainda que sofreu uma tentativa de assassinato, mas os “matadores profissionais” erraram os cinco tiros. “Assustados, jogaram o rifle para dentro do carro e fugiram”, afirma.
Milagres e milhões
Com promessas de cura e até de ressurreição, o apóstolo Valdemiro Santiago transformou sua Igreja Mundial num novo império evangélico
MARIANA SANCHES E RICARDO MENDONÇA. COM JULIANA ARINI, DE CUIABÁ (MT)
DINHEIRO 
Na multidão, uma fiel dá R$ 20 à Mundial. Nos grandes cultos, as doações são recolhidas por mais de 200 voluntários (
à esq.). Depois, as sacolinhas são entregues numa cabine improvisada, de onde saem malas cheias (à dir.) 
Além dos “livramentos”, a Mundial ostenta ainda outras três distinções em relação às concorrentes. A principal é a ênfase na cura. Diferentemente da Universal, que cresceu preconizando o exorcismo, ou da Renascer, que concentra o foco na prosperidade, a Mundial promete soluções divinas para doenças terrenas. O discurso não é novo. Nos anos 50, milagres de cura eram o mote da Igreja do Evangelho Quadrangular e da igreja O Brasil para Cristo, de Manoel de Mello. Valdemiro remasterizou o tema. Para dar credibilidade ao discurso, às vezes recorre ao médico Wandemberg Barbosa, que sobe ao altar para dizer que a medicina não explica certos fenômenos. “Há casos que só podem ser milagres”, diz Barbosa. “Tomo cuidado com o que falo porque existe a fiscalização do CRM (Conselho Regional de Medicina), mas Valdemiro não provoca a descrença na medicina. Ele nunca manda ninguém interromper o tratamento.”
Outra característica que distingue a Mundial é a sacralização do suor. A cada culto, Valdemiro passa quase três horas no altar. Ali, ele grita, canta, ri, chora, pula, se ajoelha e sua. Sobretudo sua. Quando a reunião termina, seu suor é disputado pelos fiéis. Mais de 200 chegam a cercá-lo. Tremendo, chorando, eles usam toalhinhas fornecidas pela igreja para coletar alguma umidade. Depois, esfregam o pano no próprio corpo, em fotos ou documentos. “A valorização do suor, que ocorre com vários líderes da Mundial, é uma novidade completa entre os protestantes”, diz o sociólogo e teólogo Ricardo Bitun, da Universidade Mackenzie. “Valdemiro é corajoso ao permitir que o público toque em seu corpo. Nenhum outro líder evangélico faz isso”, afirma o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo (USP).
O terceiro elemento distintivo da Mundial é a composição de uma cúpula majoritariamente negra. Os bispos Josivaldo Batista, o segundo na hierarquia, e Roberto Damásio, o terceiro, também são negros. Valdemiro fala com orgulho sobre a presença de negros na direção da igreja. E afirma já ter sido discriminado por sua cor. Eis o que diz o jornalista Ronaldo Didini, ex-homem de confiança de Edir Macedo que hoje trabalha como consultor de mídia para Valdemiro: “Uma vez, numa reunião de lideranças da Universal, Valdemiro foi indicado para liderar a igreja no Paraná. Macedo foi contra, dizendo que a sociedade paranaense era elitizada e que não mandaria um negro para lá. Quem defendeu o Valdemiro foi o Honorilton (Gonçalves), hoje presidente da Record. Mas não adiantou”. Por meio de sua assessoria, a Universal afirmou que tem vários pastores e bispos negros e que a acusação de discriminação contra Valdemiro é improcedente.
A Mundial não vive só de inovação. Noutros aspectos, aproveita o know-how dos concorrentes, como a prática de distribuir bens em nome de terceiros para esconder o enriquecimento das lideranças. “A Mundial cresceu muito. Então há coisas que o apóstolo coloca no nome de outros. Eu já tive veículos da igreja em meu nome”, diz Jorge Lisboa, obreiro e assessor da Mundial, presença frequente no altar ao lado de Valdemiro. “O primeiro carro que o apóstolo comprou pela igreja colocou no meu nome. Muita coisa é assim. Sabe por que o R.R. Soares está estacionado? Porque dedicou tudo à família. O dirigente tem de confiar nos outros. Se comprar dez emissoras de rádio, tem de colocar em nome de pessoas diferentes.” O missionário R.R. Soares não respondeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA.
A prática descrita por Lisboa é confirmada pelo advogado Fausto Bossolo, membro da Mundial e assessor do vereador José Olímpio (PP), representante da igreja na Câmara Municipal de São Paulo. “Como é que você vai declarar isso no Imposto de Renda? A Igreja Evangélica tem um crescimento absurdo e a demanda é muito grande”, diz ele. “Então é complicado colocar (tudo) no nome de uma pessoa só. Você tem uma casa e daqui a um ano tem 20. E aí? Como fica?
Como outras igrejas neopentecostais, a Mundial também não se acanha em pedir ofertas. Apesar do perfil pobre do público, os pregadores não hesitam em estabelecer valores altos para as contribuições. Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel, o que foi batizado de “trízimo” : “Você vai dizer para Deus o seguinte: ‘Senhor, 70% de tudo o que o Senhor me der neste mês é meu. E 30% são da sua obra’”, disse. Depois, associou o “30” à “Santíssima Trindade”. Apesar de dizer que não faz distinção entre doadores, a Mundial qualifica as ofertas em categorias: ouro (R$ 300), prata (R$ 100) e bronze (R$ 50). “Quando Jesus nasceu, recebeu três presentes: ouro, incenso e mirra. Qual foi o mais importante?”, disse Valdemiro num culto. E respondeu: “O ouro!”.
O ex-pastor Rafael Ferreira, um dos raros dissidentes da Mundial, dá detalhes das táticas de arrecadação: “Em Mato Grosso havia uma meta de R$ 1 milhão por mês, além dos R$ 500 mil para pagar a TV. Eu era responsável pelos depósitos. Todo dia ia ao Bradesco do centro de Cuiabá e depositava de R$ 80 mil a R$ 100 mil na conta da igreja”. Ferreira atuou por três anos na Mundial. Ele conta como eram os “cursos de pregação”: “O bispo Sidney Furlan mandava a gente subir no altar e orientava sobre o que falar para comover o povo. Dizia que era preciso fazer um teatrinho, um sensacionalismo para o povo acreditar que a igreja era responsável pelas curas e milagres”. Ferreira, que se diz ex-homossexual, foi expulso da Mundial em dezembro. Ele pede R$ 1 milhão na Justiça por discriminação e calúnia. Os representantes da igreja em Cuiabá não quiseram comentar suas afirmações.
Problemas com a Justiça não são uma novidade para a Mundial. No começo do mês, três pastores da igreja foram presos pela Polícia Rodoviária em Mato Grosso do Sul. Com eles foram apreendidos sete fuzis, que, segundo a polícia, saíram da Bolívia e seriam entregues para traficantes no Rio de Janeiro. O próprio Valdemiro já foi apanhado em situação parecida. Em abril de 2003, o Ford Mondeo que dirigia foi parado numa blitz em Sorocaba. No carro, havia 26 cartuchos de munição e três armas: uma carabina calibre 22 e espingardas calibres 12 e 15. “Ele disse que era caçador. Falou que tinha morado na África, onde caçava elefantes”, diz o policial Danilo Ramos, que atuou no flagrante. Na casa do apóstolo, “um lugar sujo, nos fundos de um quintal”, segundo Ramos, os policiais acharam mais duas espingardas ilegais. Na delegacia, Valdemiro afirmou que ganhava “aproximadamente R$ 500 por mês” e não tinha imóvel nem dinheiro no banco. Passou a madrugada preso. Em 2005, foi condenado a dar três cestas básicas a uma instituição de caridade.
Ainda em 2003, Valdemiro voltou a esbarrar na ilegalidade. Ao renovar a carteira de motorista, usou o RG 16.717.037, que pertence a uma mulher nascida em Paraibuna, no interior de São Paulo. A habilitação, com o número de RG errado, venceu em 2008. Não consta que ele tenha tido problema por ter circulado com um documento com informação falsa.
Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel – o que foi batizado de “trízimo”
Com o crescimento da Mundial, o padrão de vida de Valdemiro mudou radicalmente, embora ele continue cultivando a imagem de interiorano simplório diante dos fiéis. Valdemiro mora num condomínio de luxo em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Quando precisa se deslocar, usa dois helicópteros e um jato Citation Excel, de R$ 18,5 milhões, alugado há cinco meses. O helicóptero menor é um Bell Jet Ranger 206B3, avaliado em R$ 1,3 milhão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele já pertenceu à apresentadora Xuxa. Hoje, está em nome de uma factoring chamada Athenabanco, que diz ter vendido o aparelho à Mundial no fim de 2008, em 12 parcelas. “O pedido de transferência para a igreja está na Anac há dois meses, mas o processo é lento”, diz Robinson Leite, diretor da Athenabanco.
O helicóptero grande é um Agusta A109-C, comprado pela Mundial em setembro de 2009, por R$ 5,1 milhões. Potente, luxuoso e seguro, o Agusta é um dos aparelhos mais cobiçados do mercado. Para embarques e desembarques perto de casa, Valdemiro usa o heliponto de Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!. É uma situação provisória (que Dallevo prefere não comentar). Em pouco tempo, Valdemiro deverá construir seus próprios helipontos. A amigos, disse que vai construir um perto de sua casa e outro perto do enorme templo que está erguendo na Zona Sul de São Paulo.
A frota de aeronaves já parece insuficiente para o apóstolo. Há algumas semanas, corretores foram acionados para tentar vender o Agusta por US$ 2,5 milhões. “O plano de Valdemiro é comprar um Agusta Grand, o mais sofisticado da marca, que custa uns US$ 7 milhões”, diz um profissional do mercado. O avião também pode estar com os dias contados. “Eu já disse para o Valdemiro que ele precisa comprar um jato intercontinental. A igreja está em expansão na África”, afirma Ronaldo Didini.
Em seu próprio nome, o patrimônio de Valdemiro é bem menor. Com a mulher, a bispa Franciléia, ele é sócio de uma empresa de comunicação e de uma gravadora de CDs, que trabalham para a igreja. Franciléia é uma loira de 44 anos. Com joias e roupas chamativas, ela acompanha Valdemiro nos cultos e ora chorando. Ainda é sócia da editora que publica livros da Mundial. Oficialmente, a renda do casal sai apenas da venda dos livros e CDs. Os outros bens de Valdemiro são um Fusca 1969, uma moto 125 cilindradas e uma picape Dodge RAM 2.500 avaliada em R$ 100 mil.
O motor do crescimento acelerado da Mundial é sua estratégia de mídia, considerada a mais agressiva entre os evangélicos. Até dois anos atrás, a Mundial disputava fiéis pela TV em pé de igualdade com os concorrentes, alugando pequenas faixas da programação. Em agosto de 2008, deu um salto. Valdemiro fechou um acordo com a família Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e passou a ocupar 22 horas diárias da grade da Rede 21, canal UHF com alcance nacional. O negócio, que garantiu presença avassaladora da Mundial na TV, foi articulado por Didini, que ficou com o cargo de gestor de conteúdo da emissora.
A Mundial tem também acordos com a Rede TV! – em que ocupa três horas e meia da programação diária – e com a CNT – oito horas por dia. Transmite por satélite para cinco países da África. No rádio, mantém operações em vários Estados. As mais relevantes no Rio e em São Paulo, onde a Mundial arrendou uma emissora FM para transmitir 24 horas por dia.
RIQUEZA 
Valdemiro cultiva uma imagem de frugalidade. Mas tem um padrão de vida sofisticado. Um helicóptero Agusta (
foto inferior, à esq.), um Bell (foto maior) e um jato Citation de R$ 18,5 milhões (foto superior, à esq.) ficam a sua disposição
Milagres e milhões
Com promessas de cura e até de ressurreição, o apóstolo Valdemiro Santiago transformou sua Igreja Mundial num novo império evangélico

Ainda que a cúpula da Mundial mantenha segredo sobre a movimentação financeira da igreja, todos concordam que o gasto mais relevante é com mídia. Um membro da cúpula afirmou que o desembolso total nessa rubrica está em torno de R$ 13 milhões por mês. “No Canal 21, o apóstolo deve estar pagando uns R$ 7 milhões, daí para mais. Na Rede TV! foi renovado por R$ 1,9 milhão. E na CNT uns R$ 800 mil”, diz o assessor Jorge Lisboa sobre os três principais contratos. Para filmar eventos externos, a Mundial contratou a produtora de TV Casablanca, a maior do setor no Brasil.
A nova ambição de Valdemiro é política. Seguindo a tendência de outras igrejas, ele quer criar sua própria bancada em Brasília e eleger um representante seu em cada Assembleia Legislativa do país. “A estratégia do apóstolo é lançar só um federal e um estadual por Estado. É para não ter competição interna”, diz Irio Rosa, escalado para ser candidato a deputado estadual no Paraná pelo nanico PSC (Partido Social Cristão). A legenda, cujos maiores expoentes são o senador Mão Santa (PI) e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, deverá lançar a maioria dos candidatos da Mundial. Rosa, exibido constantemente na TV da Mundial, admite que mal conhece o Paraná.“Eu queria sair candidato por Brasília, mas o apóstolo não deixou. Então, faz um ano que estou morando em Curitiba”, diz.
Um dos colaboradores mais importantes de Valdemiro fará dobradinha com Rosa no Paraná. É o executivo Ricardo Arruda Nunes, ex-presidente do desativado Banco de Crédito Metropolitano, conhecido como o banco da Igreja Universal. Nunes diz ser hoje responsável pela “estratégia financeira” da Mundial. Ele já foi investigado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República por suas supostas relações com empresas-fantasmas que teriam sido criadas pela Universal para lavar dinheiro. Agora, prestador de serviços para a Mundial, frequenta os cultos de Valdemiro todo domingo.
Em janeiro, Valdemiro Santiago quase recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu altar. A ocasião era um culto no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, com público estimado em 50 mil pessoas. Lula chegou a confirmar presença, mas não apareceu, porque teve uma crise de hipertensão. Para representá-lo, compareceram dois petistas: o prefeito Luiz Marinho e o senador Aloizio Mercadante. “Eu não conhecia Valdemiro”, disse Mercadante. “É mesmo impressionante. Ele prega de forma muito direta, autêntica e popular. Lembra as manifestações que a gente fazia aqui neste mesmo lugar com os trabalhadores, um movimento forte, espontâneo e que incomoda as elites.” Mercadante prometeu articular um encontro de Valdemiro com Lula. Até a semana passada, nenhuma reunião tinha sido agendada.
Valdemiro procura cultivar contatos com políticos de diversas tendências. Mantém boas relações com o tucano Marconi Perillo, senador por Goiás, e com Ivo Cassol (PP), governador de Rondônia. “Imagine uma pessoa íntegra, boa, verdadeira. É ele, Valdemiro. Ele faz coisas que só Deus pode fazer”, diz Cassol. Ele costuma recebê-lo em sua fazenda, em Rondônia, para pescar. Entre os políticos de destaque, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é o único com quem Valdemiro tem relacionamento dúbio. Em 2008, Valdemiro pediu votos para Kassab. No ano passado, quando a sede da Mundial no Brás, centro de São Paulo, foi lacrada por falta de segurança e excesso de barulho, Kassab passou a ser tratado como inimigo.
A sede do Brás é um galpão enorme e antigo, que funcionava como fábrica da família Matarazzo. Ocupa uma área de 43.000 metros quadrados e foi comprado pela igreja por R$ 60 milhões em 60 parcelas. O embargo ocorreu porque o imóvel tinha fiação exposta, piso e teto comprometidos e não contava com saídas de emergência, além de produzir muito barulho. Enquanto providenciava reformas, Valdemiro dizia que o fechamento era uma “perseguição dos poderosos à obra de Deus”. Várias vezes ameaçou retaliar Kassab nas urnas. A sede, que ficou 53 dias lacrada, é a principal fonte de renda da Mundial. “O fechamento da nossa igreja provocou um prejuízo de milhões e milhões de reais”, disse Valdemiro num culto em fevereiro, enquanto pedia mais ofertas aos seguidores.
De todos os assuntos relacionados à vida de Valdemiro, um dos mais polêmicos e misteriosos é sua saída da Universal. Valdemiro é o único dissidente de Edir Macedo que prosperou criando sua própria igreja. Depois de ocupar posições de destaque em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e em Moçambique, Valdemiro rompeu com a Universal em 1997. Sua importância pode ser medida pelas participações societárias que acumulou. No último ano de Universal, tinha em seu nome duas TVs e três rádios FM da igreja. Há várias versões para a ruptura. Alguns dizem que Valdemiro foi expulso por desviar dinheiro da Universal. Outros dizem que ele discordou de Edir Macedo na nomeação de um bispo. Há quem diga que ele caiu em desgraça porque brigou com autoridades de Moçambique e atrapalhou a expansão da igreja por lá. Sua saída não foi amigável. “Sabe o que o Macedo fez com ele? Deu R$ 50 mil e um Gol velho. Jogou na mesa. Foi assim que o Macedo fez, ó: ‘Se você ficar, vou te dar uma liderança forte, um Audi, tudo. Se sair, leva R$ 50 mil e um Gol velho’”, afirma Didini, que deixou a Universal na mesma época. “Ganhei R$ 100 mil quando saí. O cara (Valdemiro) foi um líder, trabalhou 18 anos lá, deu a vida pela igreja e só levou R$ 50 mil.”
Parte importante do sucesso da Mundial é resultado da crise da Igreja Universal. Lideranças evangélicas dizem que a Universal começou a enfrentar problemas quando Edir Macedo passou a dedicar a maior parte de sua atenção à TV Record. “Ele deixou de ser igrejeiro, virou empresário e foi morar nos Estados Unidos, longe dos fiéis”, afirma o ex-bispo Marcelo Pires, que atuou na Universal e hoje move processos judiciais contra a igreja. “O seguidor da Universal nem vê mais o Edir pregando. Como não sente o carinho de seu líder, procura outras igrejas.” Há também o desgaste provocado pelas denúncias recentes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra líderes da Universal.
Desde a criação da Mundial, Edir Macedo nunca manifestou nenhum tipo de temor sobre a concorrente. Dias atrás, ele publicou um post em seu blog em que cita pela primeira vez a Mundial. Edir Macedo reproduziu a carta de uma fiel que teria passado pela igreja de Valdemiro. Ela diz que na Mundial viu sua vida espiritual “caindo a cada dia”. Os parceiros de Valdemiro comemoraram. Para eles, Edir Macedo passou um atestado de preocupação.


 NOTA: AQUELE QUE SE INTERESSAR EM OBTER A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA, INCLUSIVE COM IMAGENS,  SIGA O LINK: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI129355-15223-1,00-MILAGRES+E+MILHOES.html 
ESTA POSTAGEM TEM O SIMPLES INTUITO DE INFORMAR, E NÃO TENDENCIAR OPINIÃO, OU EMITIR QUALQUER TIPO DE COMENTÁRIO. QUE CADA UM QUE LER TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES, SENDO RESPONSÁVEL POR ELAS.
ATT.:
JÚLIO MUNIZ

"KUARUP", A FESTA DOS MORTOS.

O PRIMEIRO KUARUP (Mavutsinim)

Mavutsinim desejava fazer com que os mortos voltassem à vida. Foi então no mato, cortou dois troncos e deu-lhes a forma de um homem e de uma mulher, pintando-os e adornando-os com colares, penachos e braçadeiras de plumas. Cravou-os no centro da aldeia. Preparou então uma festa e distribuiu alimentos a todos os índios, para que esta não fosse interrompida. Pediu aos membros da tribo que cobrissem seus corpos com uma pintura que expressasse apenas alegria, pois aquela seria uma cerimônia em que, ao som do canto dos maracá-êp, os mortos iriam reviver: os Kuarups criariam vida. No outro dia a festa continuava; os índios deveriam cantar e dançar, embora proibidos pelos pajés de olharem para os troncos. Aguardariam de olhos cerrados a grande transformação. Naquela mesma noite, as toras começaram a mover-se, as penas mexiam-se como se estivessem sendo sacudidas pelo vento, tentando sair das covas onde foram colocadas. Ao amanhecer já eram metade humanos, modificando-se constantemente. Mavutsinim pediu então aos índios que se aproximassem dos Kuarups sem parar de festejar, cantando, rindo e dançando. Apenas os que haviam passado a noite com mulheres não poderiam se integrar à cerimônia, permanecendo afastados do local. Um destes, porém, com irresistível curiosidade, desobedeceu às ordens do pajé e aproximou-se, quebrando o encanto do ritual. E os Kuarups voltaram à sua forma original de troncos. Contrariado, Mavutsinim declarou que, a partir daquele instante, os mortos não mais reviveriam no ritual do Kuarup! Haveria somente a festa. Ordenou que os troncos fossem retirados da terra e lançados ao fundo das águas, onde permaneceriam para sempre. O Kuarup é, portanto, uma cerimônia de homenagem aos mortos, que é celebrada um ano depois do falecimento do indivíduo. Corresponde a festa de finados do homem branco. O nome deste cerimonial procede e um tipo de árvore, cujos troncos representam o espírito dos mortos. Os Kamayarás pintam a pele e o cabelo um com corante vermelho chamado "urucum" e outro verde, conhecido como "jenipapo", que aplicados a pele, ali permanecem por 10 dias. Durante o Kuarup, necessita-se pescar grandes quantidades de peixes para reparti-los na aldeia. Vários meses antes se celebram a cerimônia de abertura do Kuarup. Para tanto, a família do morto vai pescar por vários dias e em seu regresso, entrega todo o pescado obtido, depositando-o no lugar onde está enterrado o corpo, geralmente no centro da aldeia. Na noite anterior a chegada dos pescadores, todos os homens do povoado se pintam com urucum e jenipapo, tocam flauta "jakuí" (instrumento de quase 2 metros, formado de tubos), bebem mingau, cantam e fumam, enquanto permanecem a espera toda a noite sem dormir. 
As mulheres não participam destas reuniões. O Kuarup é uma festa alegre e exuberante, onde homens e mulheres cantam e dançam. Na visão dos índios, os mortos não querem ver os vivos tristes ou feios. Kuarup é um dia de alegria.
Depois da cerimônia do Kuarup, os espíritos estão liberados para irem ao mundo dos mortos.

A PAJELANÇA

Pajelança - O Xamanismo Brasileiro                      

É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã. O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não indígenas) mais comuns no Norte e Nordeste brasileiro. Há anos atrás, o amigo Walter Vetillo foi a Belém fazer uma reportagem para a Revista Planeta, cobrindo o VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica onde se realizaou um Encontro de Pajés. Parte da matéria transcrevo abaixo :

Afinal... Quem são os pajés?
Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança: “Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em xamanismo, muitas linhagens dos xamãs são mulheres no Brasil não; aqui pajé é sempre somente do sexo masculino - primeira geração, que passa de pai para filho. Para ser um pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, deve ter muita força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas biocósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito, por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade. Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, varia muito o conceito de pajelança, mas eles têm alguma coisa em comum: o misticismo, o segredo. Você às vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento). O pajé penetra na área da encantaria, outra vertente da grande magia que pouca gente conhece que é passar para outra dimensão e muitos deles quando retornam dessa experiência, voltam curados. Eu fui iniciado pelas mãos de uma curandeira de terceira geração que foi tratada pelos pajés. Doente, ela passou algum tempo desaparecida e quando retornou, além de curada veio com dons incríveis. A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena. Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos. A visão holística da cultura xamanista não pode ser esquecida fornecendo ao pajé um importante elo que o integra ao todo. Nesse sentido Fritjot Capra, em ponto de Mutação, sintetiza: "A característica predominante da concepção xamanista de doença é a crença de que os seres humanos são partes integrantes de um sistema ordenado em que toda a doença é conseqüência de alguma desarmonia em relação à ordem cósmica. Com grande freqüência, a doença também é interpretada como castigo por algum comportamento imoral. A pajelança autêntica abrange os pajés reunidos no conceito de "alta pajelança", cujos segredos são guardados a sete chaves - haja vista não terem interesse em que profanos venham a desfrutar dessas dádivas. Ela se subdivide em duas correntes:
·                                 Pajelança de "conta branca”: Atua em favor do bem, curando principalmente doenças físicas e mentais e resolvendo problemas do cotidiano da comunidade.
·                                 Pajelança de "conta negra”: Atua em favor do mal. Visa facilitar a vitória na guerra com outras tribos ou a disputa de guerreiros para se tornar líderes. Serve também para matar ou adoecer uma vítima, sendo que em alguns casos é usada para dificílimos trabalhos de cura.
A verdadeira pajelança é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. A presença da mulher é vedada. Já a pajelança paralela (segunda geração) envolve as várias formas de curandeirismo popular - principalmente as rezadeiras e benzedeiras, que trazem no sangue a eugenia nativa, além de estar representadas em alguns rituais da Umbanda. Finalmente, a pajelança afim (terceira geração) engloba o curandeirismo popular originado da pajelança mater, porém com atuação mais aberta que a anterior. Apresenta influências visíveis de outras magias, seitas, misturando-se a outras culturas folclóricas e crendices de povos diversos. É a pajelança com maior influência no Brasil, e suas benzedeiras, que utilizam ervas e rezas para tirar o "quebranto”, muitas vezes conseguem imbuir-se de dons que são inerentes aos pajés. Já as rezadeiras, embora sejam incluídas nesse grupo, são originárias do Nordeste, submetendo-se assim a uma influência maior do catolicismo. A pajelança deve ser usada por quem realmente a domina, manipulando o universo de magias que a constituem. A princípio todos os métodos usados são indutivos, sincronizados a um objeto (instrumento de poder) e resguardado pelos dons natos do pajé. Sua maior finalidade está na força de cura ou no resultado que produz a partir de três fatores básicos:
1. Força Mental - É um dos instrumentos fundamentais de um pajé. Existe um arquétipo-modelo que fornece meios para a paranormalidade aguçar-se à medida que o pajé passa a usar elementos oriundos da natureza: comer determinadas frutas ou raízes, ingerir certas bebidas sagradas através de fórmulas secretas, etc. Esse complexo aguça a paranormalidade e está associado a outros exercícios como a entonação de mantras.
2. Sincronia de elementos - Constitui o poder de invocar elementos das diversas dimensões através de cânticos mântricos e imagens. Quando associado à natureza, esta força ostenta a verdadeira fórmula que muitos pajés, bruxos e outros magos guardam a sete chaves. O próprio maracá, quando sacudido cadencialmente, cria uma estrutura energética que permite a abertura para a paranormalidade.
3. Agentes auxiliares - O auxílio a esses trabalhos provém de seres de diversos planos dimensionais invocados para operar como reforço, com os elementos da natureza, os encantados (seres energéticos de outras dimensões) e outros agentes chamados "tetaianos", ou seja, otimizados pelas comunicações biocósmicas (espíritos de pajés e de outros seres).

Um elemento indispensável na pajelança é o maracá. O maracá de um xamã é recebido ou confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. Em alguns casos é passado de pai para filho; ou ainda, o "escolhido" é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação. Outro elemento fundamental é o tauari, uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os contatos que o pajé queira fazer. Se o maracá e o charuto são importantes para um pajé, pois assumem significados sagrados em suas mãos, existem outros elementos secundários usados ao longo dos trabalhos desenvolvidos.

·                                 Mascar certos vegetais ou mesmo cheirá-los, ou até mesmo comer ou beber, também faz parte do ritual de entrada de um xamã. Essa situação varia muito de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado. O importante é que eles, usando recursos totalmente naturais, provocam os mesmos efeitos de certos enteógenos.
·                                 Chás ou pós de ervas, alucinógenos ou não, facilitam as viagens e a comunicação, com entidades de outros planos, bem como aguçam a paranormalidade.
·                                 Porções para mascar, feitas com plantas e raízes especiais, desenvolvem a sensibilidade do pajé e facilitam suas viagens, as quais poderão trazer soluções para os casos pendentes.
·                                 Cantos nativos produzem vibrações e facilitam contatos com outros pajés, pessoas ou outros seres invocados nos cânticos.
Dentro dessa estrutura a pajelança é associada a rituais de grande beleza e magia, que extasiam a todos que se envolvem no processo de participação, ou mesmo como meros observadores. Segundo Thor, o perfeito domínio sobre este incrível mundo mágico-natural pode por vezes levar alguns pajés de alta linhagem a alterar suas partículas atômicas, tornarem-se invisíveis e deslocar-se no espaço, surgindo em outros lugares. Aqui vale a pena lembrar as experiências relatadas por Castañeda em seus livros, descrevendo casos semelhantes com Dom Juan e D. Genaro. Geralmente o pajé exerce uma influência muito grande sobre seu povo - sua figura está para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importância em destaque assuma uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo. Por outro lado, como um médico, o pajé segue as normas e obedece as éticas moldadas pela sociedade, e não poderia deixar de assumir um arquétipo blindado para sua tribo. Dificilmente alguma coisa lhe é negada, e ele, com justiça, exerce o poder e goza de fama e do respeito de todos. Os pajés vivem bastante tempo, e os mais poderosos são chamados de sacaca por sinal, o mesmo nome de um conhecido vegetal da Amazônia Oriental, detentor de inúmeras utilidades.

ORAÇÃO A OXÓSSI


Oxum, Mãe amada, daí-me fertilidade e harmonia brinda-me com teus encantos para que meu coração não se endureça com os horrores do caminho.

Yansã, Senhora das Almas, me protege das trevas do inferno de minha ignorância, impede-me com teu vento de parar de caminhar.

Xangô, Senhor da Lei Divina, faz-me firme contra meus próprios erros e estremece-me quando eu for injusto com meu semelhante para que eu aprenda tua Lei e a ela seja fiel.

Ogum, Guerreiro Invencível, protege-me de meus inimigos e daí-me arma para lutar, não me abandona em campo aberto enquanto eu honrar teu exército como soldado servil.

Yemanjá, Mãe Adorada, Senhora de minha vida, recebe-me como teu (tua) filho (filha) em teu seio de Paz e Santidade e educa-me a viver com Amor a todos os seres incluindo meus eventuais inimigos.

Oxalá, Senhor Supremo, palavra direta de Deus, Sagrado Cordeiro, daí-me Fé agora e perdão no dia de meu julgamento se assim eu for humilde e merecedor.

Oxossi, meu Pai Amado, é a vós, por fim, a Quem dirijo esta oração, rogo-Lhe, dono do meu destino e Senhor de minha vida, com todas as forças de que disponho, tira de mim a tristeza, esse mal que me corrói, fruto de minha fraqueza, mas que não consigo derrotar sem Tua intervenção. Ajoelho-me diante do Senhor e humildemente imploro-Te, livra minha alma dessa angustia que vence meus sentidos e distorce meus pensamentos, devolve-me a paz que eu tinha quando um dia morava em tua casa. Entrego agora minha vida a Vós, salva-a do tormento para que eu possa servir-Te para sempre com alegria lutando honradamente para ser um dia merecedor de tua Glória.

POVOS INDÍGENAS DO BRASIL



Povos Indígenas do Brasil
Os principais povos indígenas do Brasil, nações, famílias e locais onde vivem 
Introdução
Embora tenham diminuído significativamente desde a chegada dos portugueses (1500), ainda existem vários povos indígenas habitando o território brasileiro. Cada um com sua cultura, língua, arte, religião, hábitos, tradições, mitos e costumes. Abaixo uma relação dos principais povos indígenas brasileiros. Saiba mais sobre os índios.
Nome do povo
(em português)
Família ao qual pertencem
ou Tronco Linguístico
Estados brasileiros
onde habitam
Aicanãs
Aicanã
Roraima
Ajurus
Tupari
Roraima
Amanaiés
Tupi-guarani
Pará
Anambés
Tupi-Guarani
Pará
Aparai
Karíb
Pará
Apiacás
Apiacá
Mato Grosso
Apurinã
Aruák
Amazonas
Arapaso
Tucano
Amazonas
Arara
Karíb
Pará
Arara
Pano
Acre
Araras-do-aripuanã
Tupi-Arara
Mato Grosso
Aruás
Língua aruá
Rondônia
Campas
Aruák
Acre e Peru
Assurinis-do-tocantins
Tupi-Guarani
Pará
Assurinis-do-xingu
Tupi-Guarani
Pará
Avás-canoeiros
Tupi-Guarani
Tocantins e Goiás
Guajás
Tupi-Guarani
Maranhão
Auetis
Língua aueti
Mato Grosso
Bacairis
Karíb
Mato Grosso
Barás
Tukano
Amazonas  
Barasanas
Tukano
Amazonas  
Baré
Nheengatu
Amazonas  
Bororos
Bororo
Mato Grosso
Chamacocos
Samuko
Mato Grosso do Sul
Chiquitanos
Chiquito
Mato Grosso
Cintas-largas
Tupi Mondé
Rondônia e Mato Grosso
Denis
Arawá
Amazonas
Desanos
Tukano
Amazonas  
Enáuenês-nauês
Aruák
Mato Grosso
Fulniôs
Yatê
Pernambuco
Gavião Mondé
Mondé
Rondônia
Paracatejê-gavião
Timbira Oriental
Pará
Pucobié-gavião
Maranhão
Guajajaras
Tupi-Guarani
Maranhão
Guaranis
Tupi-Guarani
RS/SC/PR/SP/RJ/MS
Guatós
Guató
Mato Grosso do Sul
Hupda
Maku
Amazonas  
Ikpeng
Karib
Mato Grosso
Ingarikó
Karíb
Roraima
Jabutis
Jaboti
Rondônia
Jamamadis
Arawá
Amazonas
Jarauaras
Arawá
Amazonas
Javaés
Karajá
Tocantins
Jiahuis
Tupi-Guarani
Amazonas
Jumas
Tupi-Guarani
Amazonas
Kaapor
Tupi-Guarani
Maranhão
Caiabis
Tupi-Guarani
Mato Grosso e Pará
Caingangues
São Paulo, Paraná e Santa Catarina
Caixanas
Português
Amazonas
Calapalos
Karíb
Mato Grosso
Camaiurás
Tupi-Guarani
Mato Grosso
Cambebas
Tupi-Guarani
Amazonas
Cambiuás
Português
Pernambuco
Canamaris
Katukina
Amazonas
Apaniecras-canelas
Maranhão
Rancocamecras-canelas
Maranhão
Canindés
Português
Ceará
Canoês
Kanoê
Rondônia
Carajá
Karajá
Mato Grosso, Tocantins
Karapanã
Tukano
Amazonas
Karapotó
Português
Alagoas
Karipuna
Tupi-Guarani
Rondônia
Caripunas-do-amapá
Creoulo Francês
Amapá
Cariris
Português
Ceará
Cariris-xocós
Português
Alagoas
Caritianas
Arikem
Rondônia
Araras-caros
Ramarama
Rondônia
Karuazu
Português
Alagoas
Katukina
Katukina
Amazonas
Katukina
Pano
Acre e Amazonas
Katxuyana
Karib
Pará
Kaxarari
Pano
Amazonas e Rondônia
Kaxinawá
Pano
Acre e Peru
Kaxixó
Português
Minas Gerais
Caiapós
Mato Grosso
Quiriris
Português
Bahia
Cocamas
Tupi-Guarani
Amazonas
Korubo
Pano
Amazonas
Craós
Timbira oriental
Tocantins
Crenaques
Krenak
Minas Gerais
Cricatis
Maranhão
Kubeo
Tukano
Amazonas
Kuikuro
Karib
Mato Grosso
Kulina Madihá
Arawá
Acre, Amazonas  
Culinas-pano
Pano
Amazonas
Kuripako
Aruak
Amazonas
Curuaias
Munduruku
Pará
Kwazá
Kwazá
Rondônia
Macurap
Tupari
Rondônia
Makuna
Tukano
Amazonas
Macuxis
Karib
Roraima
Matipus
Karib
Mato Grosso
Matis
 Pano
Amazonas
Maxacalis
Maxacali
Minas Gerais
Meinacos
Aruak
Mato Grosso
Miranha
Bora
Amazonas
Miritis-tapuias
Tukano
Amazonas
Mundurucus
Munduruku
Pará
Muras
Mura
Amazonas
Nauquás
Karib
Mato Grosso
Nambiquaras
Nambikwara
Mato Grosso e Rondônia
Nukini
Pano
Acre
Ofaiés
Ofaié
Mato Grosso do Sul
Oro-uins
Txapakura
Rondônia
Paiter
Mondé
Rondônia
Palicures
Aruak
Amapá
Panará
(Krenhakarore) Jê
Mato Grosso e Pará
Pancararés
Português
Bahia
Pankararu
Português
Pernambuco
Pankaru
Português
Bahia
Parakanã
Tupi Guarani
Pará
Parecis
Aruak
Mato Grosso
Parintintins
Tupi-Guarani
Amazonas
Patamona
Karib
Roraima  
Pataxó
Português
Bahia
Pipipãs
Português
Pernambuco
Pirarrãs
Mura
Amazonas
Piratapuias
Tukano
Amazonas
Pitaguaris
Português
Ceará
Potiguaras
Potiguara e português
Paraíba
Poianauas
Pano
Acre
Ricbactas
Rikbaktsa
Mato Grosso
Sakurabiat
Tupari
Rondônia
Sateré-Mawé
Mawé
Amazonas e Pará
Shanenawa
Pano
Acre
Suruís
Tupi-Guarani
Pará
Suiás
Mato Grosso
Tabajaras
Português
Ceará
Tapaiúnas
Mato Grosso
Tapirapés
Tupi-Guarani
Mato Grosso
Tapuias
Português
Goiás
Tarianas
Aruak
Amazonas
Terenas
Aruak
Mato Grosso do Sul
Ticunas
Ticuna
Amazonas
Tiriós
Karíb
Pará
Torás
Txapakura
Amazonas
Truká
Português
Pernambuco
Trumai
Trumai
Mato Grosso
Tsunhuns-djapás
Katukina
Amazonas
Tucanos
Tukano
Amazonas
Tumbalalá
Português
Bahia
Tuparis
Tupari
Rondônia
Tupinambás
Português
Bahia
Tupiniquins
Português
Espírito Santo
Tuiúcas
Tukano
Amazonas
Umutinas
Bororo
Mato Grosso
Amondauas
Tupi-Guarani
Rondônia
Uaimiris-atroaris
Karib
Roraima e Amazonas
Uapixanas
Aruak
Roraima
Uarequenas
Aruak
Amazonas
Uassus
Português
Alagoas
Uaurás
Aruak
Mato Grosso
Uaianas
Karib
Pará
Xakriabás
Minas Gerais
Xambioás
Karajá
Tocantins
Xavantes
Mato Grosso
Xetás
Tupi-Guarani
Paraná
Caiapós-xicrins
Kayapó
Pará
Xipaias
Juruna
Pará
Xukuru
Português
Pernambuco
Xukuru Kariri
Português
Alagoas
Yaminawa
Pano
Acre
Ianomâmis
Yanomami
Roraima, Amazonas
Iaualapitis
Aruak
Mato Grosso
Iecuanas
Karib
Roraima
Jurunas
Juruna
Pará e Mato Grosso
Zoés
Tupi-Guarani
Pará
Zorós
Mondé
Mato Grosso
Suruuarrás
Arawá
Amazonas